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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Domésticas do DF são as mais caras do país

Domésticas do DF são as mais caras do país

Mariana Flores - Correio Braziliense


02/10/2009 10:01


Os brasilienses estão gastando 17,18% mais para manter um empregado doméstico do que em setembro do ano passado. A variação dos salários e dos encargos para garantir o serviço — com passagens, por exemplo — foi quatro vezes maior do que a inflação do período e quase o dobro do acréscimo registrado na média nacional, segundo levantamento feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido do Correio, com base no Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S). Na média do país, o custo para manter uma doméstica subiu 9,06% (veja quadro). A inflação acumulada nos últimos 12 meses está em 4,27%, de acordo com Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os valores cobrados pelas diaristas foram os que mais subiram: 21,51%.

Apesar de estar mais caro, é crescente a contratação de profissionais domésticos no DF. O brasiliense compromete duas vezes mais com esse tipo de serviço do que a média do país. Os salários das domésticas consomem 5,32% do orçamento familiar no DF, percentual duas vezes superior à parcela destinada para o pagamento de cursos superiores, por exemplo.

Na média brasileira, segundo a FGV, o custo com a mão de obra doméstica chega a 2,15% da renda. Os salários pagos na capital federal são os mais altos do país, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) (1)do IBGE, referente a 2008. O levantamento mostra que os trabalhadores domésticos ganham, em média, R$ 478, contra R$ 362 pagos no restante do Brasil. “Os moradores do DF têm a maior renda do país, então a tendência é que as domésticas também tenham salários mais elevados. Mas esse aumento não foi motivo demissões. As pessoas precisam de alguém para cuidar de suas casa e filhos, enquanto trabalham. Quem tem uma boa doméstica não vai dispensar porque o salário subiu mais que a inflação”, afirma Mário Avelino, coordenador do portal Doméstica Legal.

O aumento dos salários de mensalistas e diaristas não provocou demissões na capital federal. A Pnad mostra que de 2007 para 2008 o número de trabalhadores domésticos no país teve um recuo de 1,4%. No DF, ocorreu um aumento de 3,4%. Hoje, a categoria totaliza 119 mil pessoas. No país, em média, de cada 100 pessoas ocupadas, oito são domésticas. Na capital federal, essa proporção é de 10 para cada grupo de 100. É o maior percentual do país, segundo o IBGE.

Embora os profissionais brasilienses ganhem mais que os colegas de outros estados, eles não param de reivindicar aumento. O valor médio pago no DF ultrapassa em apenas R$ 13 o salário mínimo. “Os empregadores querem pagar pouco e a maioria dos domésticos ganha só o mínimo. Tem gente no Lago Sul, com casa enorme para ser limpa, pagando só um salário mínimo. Se a pessoa pesasse o que economiza, com creche, lavandaria, restaurante, pagaria mais”, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do DF, Antônio Barros.

Preferência pela diária
O aumento dos salários foi provocado, principalmente, pelo reajuste imposto pelas diaristas. Essa parcela da categoria garantiu um incremento de 21,51%. As mensalistas conseguiram 12,7%, de acordo com a FGV.

Contratar alguém apenas para dar uma ajuda rápida é a solução para aliviar o impacto do preço elevado, segundo a presidente da Associação das Donas de Casa de Brasília e Entorno, Suely Bezerra da Silva. “Hoje, manter uma mensalista sai muito caro por causa das leis trabalhistas e as passagens. Muitas donas de casa têm optado por uma diarista, apenas para ajudar. Eu mesma lavo, passo, cozinho. Contrato a diarista só uma vez por mês, apenas para dar uma ajuda na faxina.”

A demanda em alta e os preços mais elevados conquistaram as profissionais. Com 10 anos de experiência, que incluem o lançamento de um livro que ensina as patroas a como se portarem com as domésticas, a moradora de Ceilândia Maria da Cruz Mery, conhecida como Da Cruz, optou por ser diarista. Seu público são os solteiros que moram em quitinetes. Além do serviço de faxina, ela oferece a possibilidade de lavar e passar as roupas em sua casa, uma vez que as quitinetes não têm espaço suficiente. “Ajudo as pessoas que passaram ou vêm estudar para fazer concurso, a cuidar da casa e ainda ofereço serviço de lavanderia”, conta a doméstica, que também é universitária. A procura crescente fez com que Da Cruz subcontratasse outras duas profissionais para ajudá-la nos dias em que não consegue atender aos seus 12 clientes semanais.

A diarista Leandra Santos, de 23 anos, também divide com quatro irmãs os clientes, quando os horários batem com os das aulas da faculdade de pedagogia ou com os dias em que faz estágio. Há cinco anos, ela está no ramo e estima que sua renda mensal chega de R$ 1,2 mil, da qual R$ 400 são para o pagamento da faculdade. Os preços variam de R$ 50 a R$ 80, dependendo do imóvel. “Trabalhar como diarista é melhor. Dá pra tirar bem mais por mês”, garante Leandra.

1 - Análise
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) apresenta os principais indicadores socioeconômicos do país e é levantada anualmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados de 2008 foram divulgados neste mês.

Variações
119 mil - Total de trabalhadores domésticos do DF, sendo que 101 mil são mulheres.

21,51% - Aumento aplicado aos valores cobrados pelas diaristas desde setembro do ano passado.

12,70% - Reajuste dado aos salários das mensalistas.

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