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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Maior encontro editorial do mundo é marcado pelo e-book Feira de Frankfurt, que terminou no domingo, deve homenagear Brasil em 2013



São Paulo, terça-feira, 20 de outubro de 2009


Maior encontro editorial do mundo é marcado pelo e-book Feira de Frankfurt, que terminou no domingo, deve homenagear Brasil em 2013

MARCOS STRECKER
ENVIADO ESPECIAL A FRANKFURT

A maior feira de livros do mundo, em Frankfurt, se rendeu ao digital. O grande tema do evento, que se encerrou anteontem, foi o livro eletrônico. E quem deu o tom foi Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, que nem foi à feira. Uma semana antes do começo do evento, a livraria virtual americana anunciou a venda para mais de cem países do Kindle, o seu leitor eletrônico. Isso obrigou o mercado editorial a se posicionar e precipitou a ação dos principais concorrentes. É o caso do Google, que divulgou em Frankfurt o projeto do Google Edition, a venda de livros digitais para diferentes plataformas, a partir de 2010.
Para os brasileiros, esse avanço do eletrônico também acelerou tudo. Com a chegada do Kindle no país, iniciada oficialmente ontem, pelo menos uma grande editora já vai aproveitar a plataforma eletrônica para um lançamento de peso. A Ediouro vai lançar "O Seminarista", novo romance de Rubem Fonseca, também para o aparelho da Amazon, já a partir de 5 de novembro. "Será no máximo uma semana depois", disse o editor Paulo Roberto Pires.
Grandes editoras brasileiras foram convidadas a conversar com a Amazon em Frankfurt, assim como a Câmara Brasileira do Livro. Foram feitas ofertas de comercialização sem exclusividade para a gigante americana. Muitas dúvidas sobre o formato comercial persistem, mas algumas editoras estão otimistas. Isso pode levar em breve a vários lançamentos nacionais para o leitor eletrônico.
Já editoras como a Objetiva, de Roberto Feith, acham que o Kindle terá competidores à altura em aparelhos como o iPod. "Também há muita dúvida sobre como ficarão os contratos anteriores", dos livros publicados antes do avanço do digital, aponta a principal agente literária brasileira, Lucia Riff.
Os debates sobre o assunto foram concorridos e provocaram o comentário irônico de que o evento tinha virado uma "feira de mídias". Executivos da Amazon e do Google disputaram espaço com editores veteranos, empresas tradicionais se dedicaram ao assunto, e teve até ex-editora da poderosa HarperCollins, Jane Friedman, que aproveitou a feira para lançar uma empresa dedicada à integração de mídias. Pela primeira vez, o Tools of Change, evento tradicional sobre novas tecnologias de Nova York, também aconteceu na Alemanha.
Em resposta à polêmica chinesa -críticas pela homenagem a um país que pratica a censura-, a feira alemã demitiu ontem seu diretor de projetos, Peter Ripkin, alegando "problemas de compreensão".
Já no universo propriamente literário, marcaram presença Günter Grass, sua colega de Nobel Herta Müller, a canadense Margareth Atwood e o holandês Cees Nooteboom.
A feira teve uma ligeira queda no número de participantes -até sábado, uma cifra cerca de 4,5% inferior a 2008, que teve um montante de 299 mil. O clima foi de cautela por conta da crise que atinge EUA e Europa, e vários estandes encolheram.
Essa prudência contrasta com o otimismo no mercado brasileiro, que tem uma razão extra para comemorar.
Antes da Copa-2014 e da Olimpíada-2016, o Brasil também poderá atrair a atenção internacional no evento. A Feira deve ter em 2013 o país como convidado de honra. A Folha apurou que as negociações estão avançadas entre o Ministério da Cultura e o evento. Até o final do ano, é esperado no Brasil o diretor da feira, Jürgen Boos, para fechar a participação. Em 2010, o país convidado será a Argentina. O Brasil já foi homenageado antes, em 1994.







São Paulo, terça-feira, 20 de outubro de 2009



Diretor de Harvard apoia digitalização, mas questiona o modelo do Google DO ENVIADO A FRANKFURT
O historiador Robert Darnton, professor e diretor da biblioteca da Universidade Harvard, tem sido voz dissonante entre os que apontam os riscos que os livros correm diante do avanço da tecnologia. A seguir, os destaques da entrevista dele à Folha (MS).






FOLHA - O fascínio pela tecnologia e pelos livros eletrônicos leva à ideia de que os livros desaparecerão?
ROBERT DARNTON - [O fascínio] Tem levado a um caso coletivo de "falsa consciência". Achamos que a tecnologia vai resolver todos os nossos problemas. Mas, na verdade, há um número crescente de livros publicados. E no velho formato do códice, criado na época de Cristo.
Isso não quer dizer que a tecnologia não abra possibilidades maravilhosas. Nosso futuro imediato vai mostrar uma combinação de tecnologia digital e textos impressos.

FOLHA - A internet pode ser comparada com o uso de panfletos políticos e impressos no século 18?
DARNTON - O ideal da democratização do conhecimento está ligado ao Iluminismo. Os filósofos estavam comprometidos com uma república das letras, mas viviam numa sociedade em que apenas a minoria podia ler. A tecnologia permite acesso a milhões de livros. Por isso, cito a digitalização que está sendo feita pelo Google. Não me oponho à criação de um banco de dados digital. O que me preocupa são os abusos de preços e a invasão de privacidade.

FOLHA - O sr. se sente confortável lendo nos leitores eletrônicos?
DARNTON - Não! Sinto falta principalmente dos jornais. Adoro ler meu "New York Times" às 5h30 da manhã. A primeira página é um mapa do dia anterior. Tudo é organizado por profissionais que dão sentido aos fatos. No Kindle, só se veem histórias isoladas.

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